terça-feira







Olho Esquerdo

Sou o Eterno Mediano
passei incauto pelo olho esquerdo de Deus
torto às vezes retorno e tomo o nada impregnado de imagens
diáfanas maquinarias refratoras de realidade

Então entregue aos meus caprichos como o lixo a degradar
ainda vivo vou morrendo sempre abrigo a mais um dia
Esta doença experiente antes de toda inocência
em tudo que não entendo se estendendo
pelo fundo e pelo raso
dos
nascimentos e ocasos
que ocasionalmente se comportam
como instantes orquestrados

Entrego tudo ao absurdo

Suo mijo tusso e cago
quase uma frase em italiano
sujo a tela com palavras flutuantes

Sou o Eterno Mediano

Toco escrevo e canto estranho
sempre de uma forma destrutiva
contorno a esquina com venenos relaxantes

Sou o Eterno Difamante

Esqueço lembro antehoje
Arrasto-me deixando o rastro
do contínuo e permanente não agrado

Sou o Eterno Dicotômico

Monarca sempiterno deste corpo
choro corro deito e estouro
por dentro entre os cacos da coroa

Sou o Eterno Afirmativo

Amante do abuso caridoso
balanço em busca do silêncio no conselho
construindo o infinito destruído

Sou o Eterno Intransferível