quarta-feira

O Espantalho






O Espantalho

Veremos o fim das expectativas
nas nulas semanas tragadas vazias
expectorando palavras sem sentir
assistindo cada segundo a morrer
estamos morrendo juntos
cada vez mais burros
expurgando do peito
o que ainda se quer tão próximo.

No fundo dos olhos em chama me espere
que anestesiadamente eu também te espero
como o gozo de um orgasmo abortado,
onde a cada cerveja aberta celebro
seu corpo
no copo refletido.

É coruja sincera na forma da face
renascendo no fio da faca o desejo,
nas frestas recônditas onde sinto-me em casa
o beijo no queixo e o ensejo por mais.

É uma azia azulada que me acompanha calada
exalando no porte a beleza do antúrio
enxergando no fundo, bem lá no fundo, acuado,
um espantalho refletido
no espelho da entrada
que só sabe pedir
paciência...

terça-feira

Metarmageddon


Metarmageddon

A noite cheirava a benzina mijando a própria barriga, de carona para Guadalarara, enquanto uma trupe de mendigos dançava na frente do Fashion Rio.

Hoje imanentaram o Eschaton

Quarto 206, horário atual: Sentado imponente no trono ao contrário, quando a gravidade invertia, ponderando:
Se sobrassem cinco minutos para a fuga eu esperaria até que os trovões se desfizessem sobre a sua cabeça, deixando chover chamas no teto entumescido do meu cérebro e emergiria persona reticente no templo, onde o tempo é mais lento, ao adentrar o palácio do excesso vestindo a peruca de um professor francês afetado.

5 da manhã, início do poente: Vinte tigres miniaturas pularam do ralo do banheiro, quarto 206, perfumados como cabelos queimados chicoteando seus rabos em sinalizações agressivas.
Pergunta: Poderiam ser os tão esperados assasinos?
Resposta: Na verdade eram duzentas fantasias costuradas na pele dos mais sórdidos pensamentos. É óbvio que toda vida assimétrica observava estrelas naquele momento.

Meio-Dia, metade do eclipse: Só enxergo corpos mortos animados, esperando Hercólobus voltar marchando sobre os crânios anencéfalos das últimas gerações felinas do planeta enquanto cozinho insetos e larvas e levo o resto ao topo do prédio mais próximo, afim de preparar a oferenda diária e orar ao maldito marajá alado voando preso na solitária do meu coração.

Dia Meia Dois do Mês de Marte: Malhando minha face como a um ferro frio, esboço um sorriso oferecido a velha cabeça de bode fincada no centro deste bote intangível em que navego pelos rios da minhas veias.
O impertinente se torna constante, ao observar um rosto desfigurado no reflexo rubro do sangue onde cruzo neste périplo anatômico.

Entre dois copos: Os cotovelos na janela da anciã virilizada faz atravessar meus próprios pés com os pregos de perguntas flagelos e um calor indolor me queima a nuca e a toda costa marítma.
As praias transformam-se em rios de merda.
Toda nudez semi-oculta evapora deixando aromas bonitos.

Finalmente soam as trombetas.

Logo hoje que o assopro responderia minhas duvídas tão indizíveis, embaralhadas no
emaranhado das linhas alíseas dos lagos. Saltaremos para fora de tudo que é raso.
Seu Severino, seus sinos e sinas somam-se as suas senhoras sintéticas.
Subitamente eu durmo...


Pós-HibernaçãoMinhas pestanas descolam-se após cinquenta anos glaciais. Não posso sair debaixo de uma chuva de chorume. Preciso esconder-me dos anões monocórdicos, ocultar os pensamentos de suas sondas censoras. Como um maníaco, como uma máquina, afogar-me em períodos.

Cantem comigo:

Rebanho, Rebanho, Rebanho
me banho no sangue ralo do seu coração
Rebanho estranho, aranha
nem conta com quantas patas pisas o chão
não canta no mesmo tom da explosão
orbitando em torno do teu corpo estou
celeste e vespertino
vespa me conduzindo ao centro
onde é tão bom não ter o que temer
já que tudo ainda será medicado.

As Novas Leis Irrefutáveis:

1- Odiar todos em posição de autoridade que não sejam você.

2- Através de jogos mnemônicos desvelar as Seis Personalidades Inerentes.

3- Aprisionar em hieróglifos os demônios sanitários.

4- Latidos são argumentos.

2- No vértice das incongruências encontram-se réplicas.

5- A cabeça pesada como um cubo de gelo, no peito, explodem granadas.

6- Meu tampo craniano é meu único teto (ainda que chova).

8- O Peixe Afogado, O Ser Ruminante, A Expressão Congelada, O Macaco Expoente, Um Livre Servente, O Filho de Freud.

9- Lapidações de impulsos elétricos são peças de encaixe fulminantes.

10- memórias.formatos.experiências.ciúmes. O abismo sempre revela passos reversos.

11- Acúmulo de falhas no partido das sensações são como tempestades de pedra no vidro do crânio. Nunca suficientes.

12- Espanque um poeta egocêntrico duas vezes por semana. Ajuda a esclarecer as necessidades das ovelhas do teu pasto.

13- Visão como espelho do mundo. A vontade altera realidades e alterna entre possibilidades finitas.

7- "Que doce desmoronar de expectativas!" sussura o miocárdio ao assistir a reprise dos comportamentos crônicos surrando qualquer idealismo.
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