terça-feira

Armado

Da minha mesa espectral,
em modesta melancolia,
me exilo deste bar exílio
e tão alheio quanto possível,
assisto a garotada vampiresca
e suas feridas escancaradas como presas
sedentas de álcool e de aventuras infames,
enquanto ainda bebo mais outra cerveja
talagando o velha companheira.

Mas daí vem o Chinaski da semana
com passos bêbados calculados
e sua poesia-tenha-pena-de-mim.
Ainda assim, desarmo minha bomba,
guardo as frases pontiagudas
e me finjo complacente
ofereço uma cadeira...

Logo logo me descubro arrependido,
puto da cara e violento
prestes a virar a mesa
e mandar todo aquela besteira
transladada no eixo sintomático,
ir tomar no cu dos livros.

Mas rearmado de silêncio
me retiro...


Os zumbis continuam bebendo
cachaça
nas poças
dos regos da rua.


Meu copo está vazio e o saco
cheio.

Volto amanhã.

Vésper

O viláceo violento
do vermelho no preto
é o Rio de Janeiro
e as suas torres cadentes
fendas e emendas desta cidade irreal

No dia em que Felipe foi coroado
do alto avistava a baía banguela
enquanto cavalos pastavam
no parque ele se armava
com sua melhor metralhadora

Usurpando o trono cravejado
de projéteis metálicos
que cercam seu corpo em queda
como a estrela vespertina
na eminência do glorioso
abismo.