terça-feira

Armado

Da minha mesa espectral,
em modesta melancolia,
me exilo deste bar exílio
e tão alheio quanto possível,
assisto a garotada vampiresca
e suas feridas escancaradas como presas
sedentas de álcool e de aventuras infames,
enquanto ainda bebo mais outra cerveja
talagando o velha companheira.

Mas daí vem o Chinaski da semana
com passos bêbados calculados
e sua poesia-tenha-pena-de-mim.
Ainda assim, desarmo minha bomba,
guardo as frases pontiagudas
e me finjo complacente
ofereço uma cadeira...

Logo logo me descubro arrependido,
puto da cara e violento
prestes a virar a mesa
e mandar todo aquela besteira
transladada no eixo sintomático,
ir tomar no cu dos livros.

Mas rearmado de silêncio
me retiro...


Os zumbis continuam bebendo
cachaça
nas poças
dos regos da rua.


Meu copo está vazio e o saco
cheio.

Volto amanhã.

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