quarta-feira

O Espantalho






O Espantalho

Veremos o fim das expectativas
nas nulas semanas tragadas vazias
expectorando palavras sem sentir
assistindo cada segundo a morrer
estamos morrendo juntos
cada vez mais burros
expurgando do peito
o que ainda se quer tão próximo.

No fundo dos olhos em chama me espere
que anestesiadamente eu também te espero
como o gozo de um orgasmo abortado,
onde a cada cerveja aberta celebro
seu corpo
no copo refletido.

É coruja sincera na forma da face
renascendo no fio da faca o desejo,
nas frestas recônditas onde sinto-me em casa
o beijo no queixo e o ensejo por mais.

É uma azia azulada que me acompanha calada
exalando no porte a beleza do antúrio
enxergando no fundo, bem lá no fundo, acuado,
um espantalho refletido
no espelho da entrada
que só sabe pedir
paciência...

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