domingo

Veraneio Descontente

continuo suando no escuro
chorando a comédia do meu ego estilhaçado
compondo em notas de erros sustenidos,
em lágrimas que caem do meu corpo ardente

suo e sei que sou esse rasgo
inflamado no olhar do outro
o mais sóbrio dos bêbados
incélebre em minha louca exatidão

já competi com anões em noites de verugas fermentadas
já recuperei meu fardo extraviado pelas amizades
já suei alcool, chuva, música, medo e frio
já previ o místico despedaçamento das flores

agora mastigo o líquido e bebo o vidro das garrafas
transformando a transpiração exposta do meu passado
um experimento irrealizado de novelas em bairros modernos

suado e cansado de suar
tentado a destacar mais uma página
escrita em branco

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