domingo

Concreto Reflexo

No toque da cidade se escuta o grande gemido.
Acima dos ventos estanques, os astros estalam e penetram na atmosfera, envoltos em edredons de distorção e de fumaça automóvel evolando do meu cigarro.
Ali eu encontrava, à sombra da meia lua, o alívio aterrorizante que só o orvalho enferrujado da madrugada podia prover. Tudo vidro, e poças, e assombrações disfarçadas de pessoas, pelas ruas circulavam no espectro intransferível do visível.
Peregrinei pelo inferno brando escondido em meu casaco de tripas.
Só caminha-se pela noite intoxicado:

Pactos
Contratos
concretos
de plástico
Papel-Moeda

Refletindo no lixo.
Na alma e nos olhos das pessoas e dos edifícios
No coração decorado das mulheres que se esquivam
Na constituição deformada dos machos de chifres eretos
No rangente som da música destilando fermentos

Tudo descolorido sob a luz forte
dos postes
no meu porre sublime.

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